A Coletiva apela à participação na manifestação Resgatar o Futuro, Não o Lucro

A Coletiva subscreve o manifesto Resgatar o Futuro, Não o Lucro porque os direitos não se confinam.

No sistema económico de mercado, com políticas neoliberais que abandona todas as pessoas, quem suporta a responsabilidade da economia dos cuidados são as mulheres – porque continuamos a ser socialmente constrangidas para tal. E são elas as primeiras e mais afetadas pelas crises económicas, com trabalhos mais precários e com menores salários. A pandemia só expôs, ainda mais, todas as insuficiências do sistema.

As mulheres que passaram a teletrabalho, ao mesmo tempo que asseguravam o horário laboral, tinham de cuidar 24h sobre 24h dos agregados familiares a seu cargo, um trabalho de cuidados invisibilizado e não pago. Foram elas que foram maioritariamente mandadas para o desemprego. E foram elas quem esteve na frente dos trabalhos de cuidados.

Algumas das mulheres que puderam confinar, ou que foram obrigadas a isso, estavam já em situações de violências de género, e o confinamento obrigou-as a estar na toca da violência, em contacto diário com o agressor 24h sobre 24h – vários relatórios oficiais, a nível internacional, relatam um aumento de violência contra mulheres e crianças durante o período de quarentena.

Para sairmos desta crise – e de todas as crises provocadas pelo sistema capitalista, é urgente colocar a vida no centro. É urgente falar de cuidados, do reconhecimento da nossa interdependência. De um Sistema Nacional de Saúde realmente universal e fortalecido. De habitação pública, recusando a promiscuidade do tratamento da habitação enquanto ativo de mercado em vez de um direito básico. De proteção social para todas e com dignidade. É fundamental concretizar estes pontos promovendo mecanismos coletivos de apoio e autogestão e através de mecanismos públicos, gratuitos e acessíveis. Precisamos não apenas de direitos, mas das ferramentas materiais para aceder a esses direitos. Exigimos o compromisso do Estado para com as pessoas, não invisibilizando aquelas que o sistema já agride primeiramente, atirando-as para um lugar periférico e de não fala, de violência e não reconhecimento dos seus direitos.

O nosso ponto de partida não poderá ser o nada – exigimos a dignidade já, e apenas construiremos a partir daí. Recusamos uma falsa ideia de conformidade por falta de alternativa. Não abdicamos de quaisquer direitos, já nossos, em detrimento de outros. Não deixaremos que coloquem, uma e outra vez, os lucros acima da vida.

Somos trabalhadoras domésticas, somos cuidadoras, somos precárias, somos trabalhadoras do sexo, somos estudantes, somos operárias, somos doutoras, somos desempregadas, somos reformadas, somos pessoas com deficiência, somos negras, somos ciganas, somos migrantes, somos cis, somos trans. Somos tu e eu, somos nós. E no dia 6 de junho, saímos à rua para continuar uma luta que se iniciou muito antes da pandemia da COVID-19 e que está longe de estar terminada. Um mundo pós-pandemia precisa de respostas ecofeministas, antirracistas e anticapitalistas.

No dia 6, não ficaremos a assistir à História, criaremos a nossa História.

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