Greve Climática Estudantil – Lisboa apela à participação na manifestação Resgatar o Futuro, Não o Lucro

A Greve Climática Estudantil Lisboa, pertencente ao movimento internacional Fridays For Future, compreende como cada vez mais urgente a necessidade de uma acção forte e apoiada na ciência climática para garantir um futuro digno para todas e todos, e por isso saímos à rua no dia 6 de Junho, subscrevendo o manifesto Resgatar o Futuro, Não o Lucro.

Consideramos que os diversos movimentos sociais têm o dever de se unir e lutar neste momento de crise de saúde pública, onde as necessidades reais das populações se tornam ainda mais evidentes e a resposta dada a estas é cada vez mais escassa. Enquanto movimento que luta por um futuro digno num planeta habitável, continuamos a ver a crise climática (que sim, não desapareceu) como uma crise que desproporcionalmente afeta mais os países do sul global, e que destaca acentuadamente as restantes crises sociais presentes, potenciando também crises futuras. Vemos que os setores mais fragilizados e precarizados da nossa sociedade não só são os mais afetados pela crise climática, como são ainda os que mais sofrem hoje, não só com a crise pandémica, como também com a profunda crise socioeconómica que vemos instalar-se. Falamos de quem sofre das profundas desigualdades socioeconómicas existentes, de desigualdade de género, do racismo, do sexismo e da lgbtfobia. Assim, saímos às ruas em conjunto com tantos outros movimentos e organizações, para exigir um plano que resgate as pessoas, e não o lucro, e que segundo a ciência climática evite o colapso dos ecossistemas, resgatando o nosso futuro.

Saímos à rua no dia 6 porque nem a crise climática, nem a democracia foram postas de lado. As medidas do governo português continuam a ser insuficientes, não oferecendo qualquer tipo de solução para um futuro em que a normalidade não seja nem renegar os direitos básicos da população (como a alimentação, a educação, a saúde e a habitação) em prol do “resgate à economia”, nem o colapso climático (sendo que se as metas de redução de emissões de dióxido de carbono de todo o mundo fossem tão fracas como as nossas, as temperaturas médias globais aumentariam pelo menos 3ºC). Assim, voltamos a sair às ruas exigindo, para além de todas as reivindicações expressas no manifesto “Resgatar o Futuro, Não o Lucro”:

• uma transição energetica justa para todas/os as/os trabalhadoras/es das indústrias poluentes, porque lhes é devida uma requalificação para um posto de trabalho numa indústria compatível com um futuro habitável no planeta Terra;

• o cancelamento do aeroporto do Montijo, tal como de todos os projetos de expansão porto ou aeroportuária; a gratuitidade dos transportes públicos; e um investimento real no desenvolvimento de uma rede ferroviária eléctrica nacional que colmate as necessidades da população portuguesa;

• a proibição da exploração de hidrocarbonetos em território nacional e o cancelamento imediato de todos os projetos e contratos de exploração de combustíveis fósseis, como os furos para prospecção em Aljubarrota e Bajouca, assim como os projetos de expansão da rede de importação e distribuição de gás natural.

A luta por justiça climática é uma luta feminista, antirracista e antifascista, que luta pelos direitos fundamentais das populações. Num momento em que vemos estes direitos a serem tratados como um negócio e postos em causa em prol do “resgate económico” e do regresso à “normalidade”, urge mais que nunca aliarmo-nos aos restantes movimentos por justiça social, insurgindo-nos quanto à falta de um plano para o presente e para o futuro, que tenha em conta as verdadeiras necessidades das pessoas e que nos resgate do abismo para o qual estamos a ser conduzidas/os. Saímos à rua para construir um mundo novo que tenha em conta o conceito de justiça climática. Saímos por rejeitarmos uma normalidade em que o centro da vida económica não seja o do cuidado pela vida humana e pela natureza. Dia 6 de Junho voltamos a sair à rua porque não nos podemos dar ao luxo de perder a luta por um futuro digno para todas e todos. Lava as tuas mãos, põe a tua máscara, e junta-te à luta!

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