Convocatória: 17 de Outubro

Em Portugal, como em quase todo o mundo, a crise do Covid-19 escancarou como este sistema é incapaz de lidar com abalos, e ainda se prepara para, uma vez mais, nos obrigar a pagar uma crise que não é nossa, que não foi feita por nós e para a qual já alertámos repetidamente.

Não pode haver enganos, esta crise vai ser usada para dividir-nos, enquanto povo, pela cor da nossa pele, pelo tanto que falta nos nossos salários, pelo nosso género, pelo sítio onde nascemos ou por quem amamos. Dividem-nos para nos atacarem à vez. Dividem-nos para garantir que não levantamos a cabeça enquanto nos roubam aquilo que é nosso: os nossos serviços públicos, a nossa solidariedade, os nossos rendimentos, os nossos direitos, o nosso clima, a nossa Humanidade. Para travá-los, é preciso largar os medos.

Precisamos de proteger a Saúde de quem a quer privatizar, aumentando a sua força, a sua universalidade e as condições de quem trabalha nesses serviços. Os despejos não podem continuar e as famílias não podem perder o seu acesso a água e energia, dentro dos limites ambientais e de justiça social. Precisamos de políticas públicas que protejam, efectivamente, quem vive do seu trabalho e que já está a ser, ou será, afectado por esta crise que ainda agora está a começar. Políticas estas que têm de impedir o desemprego de massas que se avizinha, têm de garantir que os apoios sociais chegam, realmente, a todas e todos e que acabem de uma vez com a precarização que nos tentam há tanto tempo impôr.

Saímos à rua, no dia 17 de Outubro, sem medo porque faltam planos reais e apoios reais para milhões de pessoas, em Portugal como no mundo, e em particular planos reais para as pessoas mais frágeis. Além da pandemia actual, aumentam os ódios contra a diferença para nos enfraquecer e oprimir: a LGBTQIfobia, a xenofobia, o racismo e o machismo estão nas bases do autoritarismo

Saímos à rua porque vivemos outras crises, como a crise climática, que precipitará outras crises económicas, sociais e sanitárias, e que não só não desapareceu, como se agrava.

Saímos por um plano massivo de empregos públicos para salvar as pessoas e o clima.

Saímos porque não nos vergarão a aceitar a miséria como nova inevitabilidade.

Não ficaremos a assistir à História, criaremos a nossa História. Resgatar o futuro, não o lucro.


Em Guimarães, às 16:30, marcharemos desde a Câmara Municipal até ao Largo do Toural.


Em Lisboa, às 16:00, marcharemos desde a Praça José Fontana até ao Rossio.


No Porto, às 16:30, concentração no Jardim da Cordoaria.


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